sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ferreira Gullar



Nós, latino-americanos

Somos todos irmãos
mas não porque tenhamos
a mesma mãe e o mesmo pai:
temos é o mesmo parceiro
que nos trai.

Somos todos irmãos
não porque dividamos
o mesmo teto e a mesma mesa:
divisamos a mesma espada
sobre nossa cabeça.

Somos todos irmãos
não porque tenhamos
o mesmo braço, o mesmo sobrenome:
temos um mesmo trajeto
de sanha e fome.

Somos todos irmãos
não porque seja o mesmo sangue
que no corpo levamos:
o que é o mesmo é o modo
como o derramamos.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Sugestao

Este blog tem o intuito de divulgar a cultura brasileira. Se você tem uma sugestao interessante ou conhece um artista anônimo e gostaria de divulgá-lo aqui mande um correio para mim. Contato no perfil. Obrigada!

Samba do Approach (Zeca Baleiro)

"Samba do Approach" de Zeca Baleiro é uma sátira aos estrangeirismos exacerbados, principalmente a "norteamericanizaçao" da Língua Portuguesa que é grandemente promovida pelos emergentes brasileiros, esses novos ricos que sonham viver em "Maiami". Essa linguagem é muito comum e considerada "chic" entre tais classes.
Eu vejo, ouço e divirto-me muito com a cançao. Bom proveito a todos!

domingo, 30 de novembro de 2008

Torquato Neto

A Adriana Calcanhoto cantou um poema dele em seu show em Girona dia 06/10/2008, e aproveitei a idéia para postar algo dele.



Torquato Pereira de Araújo Neto, nasceu em Teresina PI em 09/11/44. Foi morar no Rio de Janeiro, foi jornalista, compositor, cantor e mentor do movimento Tropicalista juntamente com os baianos Caetano Veloso, Maria Betania, Gal Costa e outros. Em 10/11 de 1972, o Brasil perdia essa personalidade confusa, polêmica e extremamente genial. Torquato Neto morreu ao completar 28 anos. Sua alma não cabia mais dentro do seu corpo.

(Texto extraído de http://anjotorto.wordpress.com/2007/09/03/porque-torquato-neto/)

O Poeta é a Mãe das Armas


O Poeta é a mãe das armas
& das Artes em geral —
alô, poetas: poesia
no país do carnaval;
Alô, malucos: poesia
não tem nada a ver com os versos
dessa estação muito fria.

O Poeta é a mãe das Artes
& das armas em geral:
quem não inventa as maneiras
do corte no carnaval
(alô, malucos), é traidor
da poesia: não vale nada, lodal.

A poesia é o pai da ar-
timanha de sempre: quent
ura no forno quente
do lado de cá, no lar
das coisas malditíssimas;
alô poetas: poesia!
poesia poesia poesia poesia!
O poeta não se cuida ao ponto
de não se cuidar: quem for cortar meu cabelo
já sabe: não está cortando nada
além da MINHA bandeira ////////// =
sem aura nem baúra, sem nada mais pra contar.
Isso: ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. a
r: em primeiríssimo, o lugar.


poetemos pois

Fonte: http://www.secrel.com.br/jpoesia/tor.html

domingo, 2 de novembro de 2008

Cecilia Meireles



Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?


No mês de novembro nasceu e faleceu Cecília Meireles, por isso uma homenagem a essa grande poetisa brasileira, do Rio de Janeiro onde nasceu em 07/11/1901 e faleceu em 09/11/64.

domingo, 17 de agosto de 2008

Caco Pontes






MAU-NIFESTO


SE EXISTE ACOMODAÇÃO, DESENCOSTAR.
QUANDO BUSCA O NOVO, VELHARIA.
CONTRAVENTOR SE CONTRADIZ.
ESCRITOR NÃO DIZ TUDO. MELHOR, É AMIGO.
NA PIOR DAS HIPÓTESES, RIVAL AMBÍGUO.
ENCEJO DE PANO PRA MANGA DO PRÓPRIO UMBIGO.
SURGE AINDA, UNILATERAL, O INDIVÍDUO DO MARKETING DIVINO

ADORÁVEIS CRETINOS, DESENBOCANDO EM $TATU$
POR INSTINTO ARTÍSTICO, TUDO O QUE FOI DITO ANTES,
JAZ EXTINTO... E NÃO TERIA SIDO MERA COINCIDÊNCIA
ENCONTRAR-MO-NOS EM LABIRINTO.
"LÁ EU A PERGUNTAR SEMPRE, VOCES GOSTAM DE POESIA?"
(R)EVOLUCIONÁRIOS DA RETÓRICA, SEJAMOS IGNORANTES
POR UM ÚNICO DIA, DEPOIS CONTINUAMOS NOS ENGANANDO
NUMA CRISE DE APATIA.
NOSSA NÊGA TRAZ NOVA VIDA, SERIA COVARDIA NÃO AMÁ-LA,
MESMO QUANDO NEGA OU SE FAZ DE DIVA E ROGADA.
YEAHHH, SOMOS BANDA DE ROCK´N ROLL, SATISFACTION
SE DEUS É POR NÓS, QUEM SERÁ CONTRA NÓS?
SÓ NÓS MESMOS
DANDO NÓ NOS PENSAMENTOS
SE CHORAMOS MAZELAS, SÓ LAMENTOS
E SE CONTESTO, É POR CULPA DA COMPLEXIDADE HUMANA
MOVIDA PELOS SENTIMENTOS.
SE ALGUÉM TIVER ALGO QUE IMPEÇA ESSE CASAMENTO,
FALE AGORA, OU CALE-SE PARA SEMPRE.

Caco Pontes é poeta e artista multimídia. Integra o coletivo Poesia Maloqueirista, onde é um dos editores da Revista Não Funciona, além de produzir eventos e realizar experiências com outras linguagens. Lança o livro "O incrível acordo entre o silêncio e o alter ego" (VAI – Secretaria Municipal de Cultura - SP), este ano. Já publicou na Revista Lasanha, participou das Antologias S.M (Dix editorial/ Annablume) e Fomes de formas (Demônio negro). Foi convidado por Rodolfo Garcia Vásquez, diretor da Cia. dos Satyros, a escrever uma peça teatral para o projeto “A Fauna”, desenvolvido no Festival de Teatro de Curitiba, em março passado. Participou do Off-Flip 2008 (Festa Literária Internacional de Paraty) com a performance “Orquestra Megafônica” e está confirmado na 1a. BIP (Bienal Internacional de Poesia de Brasília), lançando livro e apresentando show performático de poesia-rock. Na Flap 2008, participou de 2 mesas em São Paulo, como mediador. Participou do filme “Cegueira”, de Fernando Meirelles. Atualiza regularmente seu blog: www.sobrecacosepontes.blogspot.com

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Patativa do Assaré


Discover Chico Buarque!

"Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que a linda cabocla
De riso na boca zomba no sofrê
Não nego meu sangue, não nego meu nome.
Olho para a fome , pergunto: que há ?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará."

Cândido Portinari. RETIRANTES. 1994, óleo s/tela 180x220 cm.
Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo (MASP)

Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré, nasceu numa pequena propriedade rural de seus pais em Serra de Santana, município de Assaré, no sul do Ceará, em 05-03-1909. Filho mais velho entre os cinco irmãos, começou a vida trabalhando na enxada. O fato de ter passado somente seis meses na escola não impediu que sua veia poética florescesse e o transformasse em um inspirado cantor de sua região, de sua vida e da vida de sua gente. Em reconhecimento a seu trabalho, que é admirado internacionalmente, foi agraciado, no Brasil, com o título de doutor "honoris causa" por universidades locais. Casou-se com D. Belinha, e foi pai de nove filhos. Publicou Inspiração Nordestina, em 1956. Cantos de Patativa, em 1966. Em 1970, Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados Patativa do Assaré. Tem inúmeros folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais. Sua memória está preservada no centro da cidade de Assaré, num sobradão do século XIX que abriga o Memorial Patativa do Assaré. Em seu livro Cante lá que eu canto cá, Patativa afirma que “o sertão enfrenta a fome, a dor e a miséria" e que "para ser poeta de vera é preciso ter sofrimento".
O poeta faleceu no dia 08/07/2002, aos 93 anos.

O poeta da roça

Sou fio das mata, cantô da mão grossa,
Trabáio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de páia de mío.

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.

Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastêro, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.

Só canto o buliço da vida apertada,
Da lida pesada, das roça e dos eito.
E às vez, recordando a feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.

Eu canto o cabôco com suas caçada,
Nas noite assombrada que tudo apavora,
Por dentro da mata, com tanta corage
Topando as visage chamada caipora.

Eu canto o vaquêro vestido de côro,
Brigando com o tôro no mato fechado,
Que pega na ponta do brabo novio,
Ganhando lugio do dono do gado.

Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
E tomba de fome, sem casa e sem pão.

E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade,
Cantando as verdade das coisa do Norte.